Publicado em 17 de agosto de 2009

E hoje é aniversário da Mooca. Faz exatamente um ano que não posto nenhum texto novo aqui, mas não podia deixar passar batido esta data.

Parabéns ao bairro!

Publicado em 4 de outubro de 2008

Nesta semana foi lançado o site "Minha Mooca", que pode ser acessado pelo endereço www.minhamooca.com.br.

O "Minha Mooca" é um site da Cyrela que não tem por objetivo vender imóveis, e sim demonstrar o amor que os moradores da Mooca têm pelo seu bairro.

No site, é possível enviar seu depoimento de paixão pela Mooca e também fazer comentários sobre os depoimentos de outros moradores do bairro. O site foi desenvolvido pela TV1.Com, agência onde eu trabalho e, apesar de não ter participado do projeto, fiquei muito feliz com essa iniciativa.

Corra lá e deixe seu depoimento!

Publicado em 17 de agosto de 2008

Hoje, 17 de agosto, a Mooca completa 452 anos! Parabéns a este bairro tão gostoso de se viver e que guarda tantas histórias de minha infância e juventude.

Publicado em 19 de janeiro de 2008

Recebi dia desses e-mail que reproduzo a seguir:

Olá, tudo bem? O meu nome é Silmara Retti, sou escritora e antiga moradora do inesquecível bairro da Mooca. Aos 12 anos de idade conheci um rapaz que morava na minha rua e nos apaixonamos perdidamente. Ele era descendentes de italianos e me ensinou a ser alegre e de bem com a vida. Cursava engenharia eletrônica na Fundação Getúlio Vargas enquanto eu era estudante do colégio Plínio Barreto. Com 22 anos ele começou a apresentar distúrbios mentais e foi internado numa clínica psiquiátrica.

Ele tinha esquizofrenia e apesar de todas as dificuldades, aprendemos a enfrentar obstáculos e ultrapassar limites. Fábio Retti foi um exemplo de luta, coragem e determinação. Nos casamos numa manhã de sábado, na rua Francisco Retti, alto da Mooca e tivemos dois filhos. Ele teve outros surtos e infelizmente faleceu na mesma rua, em 1997. No mês de fevereiro estarei lançando o  livro Você Sabe o que eu tenho? Vontade de Viver – Editora Parêntese e nele conto a nossa história de amor, vivida intensamente no bairro da Mooca.

Este livro estará disponível no site www.parentese.com.br, na livraria Cultura (Av.Paulista/São Paulo), livraria Nobel, em Ubatuba e livraria  Siciliano (Shopping Center Vale). Gostaria que conhecesse e se possível, divulgasse.
*Adorei o seu site! Estarei lhe aguardando no meu…
www.silmararetti.prosaeverso.net

No e-book encontrará o conto O Louco da Rua Encantada – publicado na XVI Bienal Internacional do livro e premiado em diversos concursos literários. Nele eu falo sobre a minha adolescência no bairro da  Moóca. Um abraço saudoso!

Abraço pra ti também, Silmara, e obrigado pela visita. Avise assim que o livro estiver disponível e eu o anunciarei aqui.

Publicado em 27 de dezembro de 2007

Comentei anteriormente que é tradição entre os mooquenses tomar café fora de casa nos finais de semana. Um rápido passeio sábado de manhã pelas padarias mais famosas confirma isso. Famílias inteiras inundam mesas e balcões em busca de sucos, vitaminas, cafés com leite e toda uma infinidade de pães, doces e bolos. Entre a turba, eu me incluo.

Sem falar que adoro aquela sensação de sonolência matinal enquanto desperto lentamente acompanhado de suco de laranja e misto quente – e misto quente na padaria é muito melhor do que em casa. Também gosto de observar as pessoas nesse mesmo estado silencioso, quase letárgico. Apesar do corpo se mover com mais vagar, a mente está leve e capta mais informações.

De fato, para um bom café da manhã, as padarias e doceiras da Mooca são a melhor opção para quem deseja comer bem e se divertir. O inconveniente é o excesso de pessoas, que às vezes impede de desfrutar o ambiente por mais tempo. Você come e levanta logo porque tem alguém esperando pelo lugar. Mas desses templos da gastronomia matinal comentarei em artigos futuros. Falo agora de outro lugar que lista entre meus favoritos para o desjejum: o Fran’s Café.

Com tantos lugares tradicionais como a Nova Veredas, Monte Líbano ou Di Cunto, por que escolhi logo um que é franquia comum e presente em todas as regiões da cidade? Na verdade é justamente a trivialidade do Fran’s Café que o torna opção diferente na Mooca, pois oferece algo pelas manhãs que falta a outros: tranqüilidade.

Localizado no número 891 da Rua Chamantá, o lugar está quase na esquina com a Avenida Paes de Barros, já próximo ao bairro da Vila Prudente. Pela manhã é praticamente vazio, o que não acontece à tarde e durante a noite – por sinal, fica aberto 24h. Quando quero me fartar no café da manhã, vou às padarias famosas. Mas quando desejo lugar sossegado onde possa recostar e aproveitar as horas da manhã, só no Fran’s Café.

Quem entrou em um, entrou em todos. O cardápio é o mesmo das outras tantas lojas. Ainda assim, não vou lá apenas pelos pratos, mas pela paz e tranqüilidade que o ambiente oferece. Se estou trabalhando nalgum projeto, é um bom lugar para levar meu caderno e ficar rabiscando as idéias na companhia de um expresso. Se quero ler um livro, basta recostar nas poltronas e fico ali o tempo que quiser, longe da algazarra das padarias – não que as algazarras sejam tão ruins, mas há dias que quero evitá-las.

Devo ser um dos únicos homens na face da terra que adora levar a noiva ao salão de beleza. Mas há um motivo: o lugar fica a poucos metros do Fran’s. Ao pararmos no salão, pergunto se ela vai demorar: – Sim, no mínimo uns 40 minutos. – Ótimo! – respondo – Espero você no Fran’s Café. E pra lá vou sem pressa.

Tive uma manhã deliciosa dia desses. Com livro novo em punho, mal esperava para degustá-lo. Enquanto a futura senhora Calil entregava-se aos cuidados da beleza no salão, voei para o Fran’s. Tratei logo de garantir meu lugar favorito: a mesa da janela, que dá visão à Paes de Barros e à pequena praça na esquina (na foto ao lado, a mesa fica exatamente atrás do pilar). Gosto dali para ficar observando o movimento. Pedi um chocolate batido, um pão tostado com manteiga e, refestelado na poltrona, embarquei na boa leitura. À minha frente, três homens e um notebook discutiam projetos. A duas mesas de distância um senhor apreciava uma xícara de café enquanto lia o Estadão despreocupadamente. Na outra ponta, onde ficam as mesinhas numa espécie de jardim de inverno, uma senhora esperava a filha. No período de hora e meia, pouco movimento em ambiente convidativo à leitura.

Mas é bom o leitor do blog estar atento a certas peculiaridades do lugar. Se por um lado o ambiente do Fran’s Café é plácido, plácidas também são as atendentes. Gente que busca serviço rápido deve considerar alternativas. Você chega, o lugar está deserto, mas leva tempo até que venham lhe oferecer o menu. Depois, mais alguns intermináveis minutos para trazerem o pedido – mesmo que seja uma xícara de café. Eu já me acostumei, mas quem nunca esteve lá pode se incomodar.

Outro detalhe sobre o lugar é a completa incerteza sobre como o seu pedido vai chegar. Existem três itens no café que mudam constantemente e você nunca sabe como ele será trazido. São eles: o mamão papaia, o croissant de chocolate e o pão tostado. O mamão, descrito apenas como ‘meio mamão papaia’, às vezes vem cortado em cubos numa taça e às vezes vem solto na bandeja, fatiado ao meio e cheio de sementes. O croissant é outra incógnita: ora tenro, quente e com calda de chocolate em cima; ora duro, seco e sem calda alguma – nitidamente requentado. E o pão varia de tamanho misteriosamente. Sabe-se lá o porquê dessa falta de padronização. Mesmo assim, é divertido. Às vezes arrisco pedir um desses itens pra tentar a sorte.

Os preços são aceitáveis para um café sem grandes pretensões (R$ 5 a R$ 8 por pessoa), mas come-se melhor pelo mesmo valor em outros lugares. Desaconselho o almoço. Há opções bem mais interessantes e justas pelo bairro. Mas gosto de jantar lá no inverno, quando servem sopa dentro de um pão italiano – um prato serve bem duas pessoas. Falando em pessoas, o Fran’s Café não é lugar para grandes grupos de amigos. Prefira ir sozinho, em dupla ou, no máximo, quatro pessoas. Mais que isso um bate-papo tranqüilo torna-se complicado.

Costumo ir lá aos sábados de manhã, geralmente entre 9h e 11h. Capaz de nos esbarrarmos qualquer dia.

Publicado em 25 de setembro de 2007

Recebi, dias atrás, um e-mail do pessoal do Jornal da Mooca, que descobriu meu blog sobre o bairro. Gostaram do meu trabalho e pediram autorização para publicar um texto meu. Confesso que fiquei surpreso com o pedido, pois fazia meses que não atualizava o blog.

Logicamente, autorizei com o maior prazer. O Jornal da Mooca é uma publicação específica sobre o bairro, que traz artigos sobre o comércio, habitantes e atividades em geral da região. O jornal possui uma seção chamada “Filhos da Terra“, onde homenageia um morador a cada edição. E qual não foi meu espanto ao chegar em casa hoje e ver meu rosto estampado logo na capa do jornal, remetendo ao artigo “Filhos da Terra“. Confesso que não esperava e isso foi uma agradável surpresa.

Amigos que moram no bairro enviaram e-mails me parabenizando (antes mesmo de eu ter visto a publicação). Gostei muito do trabalho do pessoal do Jornal da Mooca, em especial da Diretora, Marcelle Fernandes, que foi extremante solícita e profissional.

Ficam aqui meus votos de sucesso ao jornal e espero, no futuro, poder colaborar com novos artigos.

Publicado em 27 de maio de 2007

A Associação AMoAMooca lança em 2007 um concurso diferente para homenagear o bairro. Cada participante terá a oportunidade de contar um pouquinho da história de sua família. “É o enredo do próprio bairro, contado sob a ótica de quem aqui viveu ou ainda mora”, comenta Pedro Perduca, um dos idealizadores do evento. Com isso, a entidade pretende começar a organizar um grande banco de dados da região, inclusive com fotos e documentos, que também podem ser entregues junto com a ficha de participação.

O concurso começou dia 10 de março e vai até 31 de outubro, quando serão selecionados os 10 melhores. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 6606.0050, ou nos postos de distribuição do regulamento.

Regulamento do Concurso

Tema: Escreva uma pequena história sobre sua família que:

Faça alusão a quaisquer aspectos dos elementos humanos, paisagísticos, culturais, políticos, históricos, geográficos, sociais e econômicos que compõem essa parte histórica da nossa cidade, como forma de perpetuar a memória dos que aqui chegaram de várias partes do mundo e do país, e que fizeram da Mooca um bairro ímpar.

Os textos, em forma de narrativa simples, deverão ser digitados em Word, fonte Times New Roman, espaço 1,5 (um e meio), tamanho 12, com no máximo duas laudas (2 páginas). Serão aceitos textos escritos à mão, desde que estejam de forma legível.

Se o participante quiser, pode entregar uma ou mais fotos alusivas ao tema de sua história, ou até mesmo documentos antigos de família. O material entregue será digitalizado e posteriormente devolvido ao participante.

Se este quiser doar a foto e/ou o documento para a Associação, será assinado um termo de doação e autorização de uso do material doado.

Término: 30 de outubro de 2007.

Público Alvo: Interessados em geral, que sejam moradores do bairro da Mooca, ou que tenham família com raízes na região. Está vetada a participação de pessoas envolvidas diretamente com o concurso, bem como os membros da AMoAMooca e do 8º Conseg, assim como seus familiares.

Participação: A ficha com a frase deverá ser entregue nos postos aqui indicados, devidamente preenchida, com letra de forma legível.

Julgamento: Os trabalhos serão avaliados por uma comissão, composta por representantes de revistas, jornais, empresários e entidades significativas do bairro.

Premiação: será feita durante a reunião festiva da AMoAMooca, que acontece em dezembro, no Buffet Tulipas, a partir das 20h. Maiores informações serão passadas ao longo do concurso.

Considerações Gerais:
1. Os organizadores do concurso, livres de quaisquer ônus para com os participantes, poderão utilizar-se da propriedade intelectual e imagem dos materiais colhidos para fins de divulgação junto à Internet, jornais e todos os demais meios de comunicação, público ou privado. Em nenhuma hipótese poderão a imagem e/ou os textos, serem utilizados de maneira contrária à moral ou aos bons costumes ou à ordem pública.

2. Serão premiadas as dez melhores histórias, e todas as demais irão fazer parte, junto com as premiadas, do acervo do futuro Museu da Mooca.

Postos autorizados:

Externato São Rafael: Av. Paes de Barros, 717

Espaço Cultural Mooca Rodolfo Crespi – Rua Javari, 403 (ao lado da Capela)

Hipermercado Extra Mooca: Rua Taquari (esquina com a rua Javari)

Supermercado Yamaushi: Rua Conde Prates,112

UniCapital: Av. Paes de Barros, 2883

Subprefeitura da Mooca: Rua Taquari, 546

Associação Comercial de SP Distrital Mooca – Rua Madre de Deus, 222

Crédito da matéria: Revista IN

Publicado em 12 de abril de 2007

Saiu na FolhaOnline, dia 30 de março, a seguinte matéria:

O melhor lugar para morar em São Paulo, segundo pesquisa Datafolha, é a Mooca, um encrave localizado nos arredores de um pólo industrial desativado, entre a conglomerada região central e a populosa zona leste.

Uma peculiaridade talvez possa explicar por que, apesar de o percentual de citações estar a margem de erro, a Mooca aparece sozinha no topo da pesquisa: o bairrismo. Seus moradores acreditam piamente que, entre todos os bairros paulistanos, a Mooca é única, singular e não pode ser trocada por nenhuma outra.

A pergunta: Em que bairro da cidade de São Paulo você mais gostaria de morar, independente de suas condições financeiras ou de outras razões?

Resposta: Mooca 6%

Vila Mariana, Tatuapé, Santana e Ipiranga 4%

Lauzane Pta., Sta Cecília, Butantã, Penha, Higienópolis, Pinheiros, Moema, Jaguaré, Jabaquara, Campo Belo e V.Guilherme 2%
(Trecho da matéria publicada na Revista Folha)

No quesito educação a Mooca também se destaca. O bairro lidera como melhor distrito educacional em relação as 4º séries do ensino fundamental. Sendo que uma de suas escolas, Emef Dr. Fábio da Silva Prado, está entre as 10 melhores.

Ao que parece, muitos concordam comigo quando afirmei, no texto anterior, que a Mooca é o melhor bairro de São Paulo. Se você ainda não o conhece, vem rápido. É um bairro que vale a pena ser curtido. E o meu convite para o café continua valendo.

Publicado em 28 de fevereiro de 2007

Todos nós temos, em maior ou menor grau de importância, lugares que elegemos como “santuários”, locais onde gostamos de ir para fazer o que quer que seja – ou mesmo para não fazer nada – e com os quais nos identificamos e sentimos prazer de ali estar. Há quem prefira o apartamento no litoral ou o sítio no interior para fugir do caos cotidiano. Nada mais natural, afinal, a vida em uma cidade como São Paulo pode ser estressante. Mas, às vezes, essa “fuga” pode ocasionar ainda mais stress.

Em época de festas de fim de ano, carnaval ou feriados prolongados, milhares de pessoas entopem aeroportos e passam horas presas em insuportáveis engarrafamentos para poderem “relaxar”. Eleva-se o nível de stress justamente pelo pretexto de combatê-lo. Tal qual animais enjaulados que são soltos repentinamente, as massas precipitam-se para praias e campos em nome da diversão, tornando esses lugares inabitáveis.

Felizmente, desse mal não sofro. Quando quero desfrutar de momentos agradáveis em um lugar tranqüilo, basta abrir a porta de casa e sair caminhando pelas ruas do meu bairro. Explico: Nasci e cresci no tradicional bairro da Mooca, o qual, na minha modesta opinião, é um dos melhores e mais calmos lugares para se viver em São Paulo.

Localizada a poucos minutos do Centro de São Paulo, a Mooca mantém um ar típico de cidade do interior, com costumes e linguajar próprios. As pessoas são afáveis, sorridentes e cumprimentam-se na rua – forte influência italiana, predominante no bairro. Aqui o tempo escoa mais devagar, demorando a desprender-se do passado. Apesar da constante construção de prédios, a Mooca ainda é um bairro com grande número de casas, a maioria ainda mantendo estruturas e detalhes de antigas arquiteturas, bem como pequenas ruas e vilas tipicamente européias – algo que me fascina, pois, quem me conhece sabe do meu encanto pela Europa. Além disso, um mooquense sente orgulho em dizer que é morador da Mooca, da mesma forma que um francês orgulha-se ao falar de Paris.

Os moradores do bairro possuem um admirável comportamento conservador, mobilizando-se para preservar locais de importância histórica e obrigando construtoras e incorporadoras a criarem áreas verdes em seus empreendimentos imobiliários, tudo em nome da qualidade de vida. Verdade que esse comportamento pertence aos moradores mais antigos, mas mesmo os jovens mostram um pouco de preocupação com a preservação do bairro. Os mooquenses possuem um forte apego à família, dão valor às tradições e não se sentem confortáveis com mudanças muito drásticas.

Em questão de infra-estrutura, somos bem servidos de colégios, faculdades e hospitais, além de feiras-livres, teatro, bibliotecas, clubes e, mais recentemente, um shopping center (novidade por aqui!). Praças, não há tantas, mas o mooquense encontra seu dolce far niente junto à área verde do Parque Distrital da Mooca, que abriga o prédio da subprefeitura, e – claro – entre as muitas árvores do famoso clube Juventus.

Nos finais de semana, os moradores da Mooca costumam entregar-se aos prazeres que o bairro oferece. Nas ensolaradas manhãs de sábado é praticamente obrigação tomar café fora de casa. Se quiser um lugar calmo, recomendo o Fran’s Café, na Rua Chamantá. Gosto dali por ser mais vazio pela manhã. É lugar pra ir sem pressa. Costumo passar lá sempre que estou desenvolvendo algum trabalho. Escolho a mesa perto da janela, peço um pão tostado com manteiga e uma xícara de café, abro meu caderno e fico rabiscando projetos.

Para um café mais movimentado, opções não faltam. Você não errará ao escolher padarias famosas, em especial a Monte Líbano, na Av. Paes de Barros, e confeitaria Nova Veredas, na rua Juventus, com uma variedade incrível de buffet. A Veredas funciona 24 horas ininterruptamente (mesmo no natal e ano novo) e está sempre lotada, sendo também uma excelente opção para almoço. Pode-se optar, também, pela tradicionalíssima doceira Di Cunto, na Rua Borges de Figueiredo. Com mais de 70 anos de história, a casa oferece o que há de melhor em doces e salgados. Aliás, o balcão de doces é um espetáculo à parte. A Di Cunto está sempre cheia nos finais de semana e é fácil esbarrar com figuras famosas. Certa vez encontrei o ex-governador Fleury entupindo-se de pães recheados. Outro lugar interessante para comer é a Esfiha Juventus, na Rua Visconde de Laguna, casa especializada em cozinha árabe que até pouco tempo se recusava a servir condimentos como ketchup ou mostarda e cujos garçons fazem todas as contas de cabeça – pare no balcão e peça um quibe com catupiry, não tem como errar.

Na janta, os mooquenses são praticamente unânimes: pizza! Nesse quesito, o bairro extrapola: são mais de 100 pizzarias espalhadas por toda a região, desde pequenos deliveries às tradicionais pizzarias do Ângelo e São Pedro, que atraem visitantes de outras regiões de São Paulo. A pizza “baiana” da São Pedro é praticamente obrigatória – eu bem que tento experimentar outros sabores, mas me sinto um traidor se passar lá e não pedir essa pizza.

E são por esses e outros motivos que, quando todo mundo resolve viajar, prefiro ficar por aqui, curtindo meu bairro. Nos feriados é até melhor, pois as ruas ficam vazias e logo cedo você pode desfrutar de um silêncio reconfortante. Se fechar os olhos e prestar atenção, é possível escutar um galo cantando no quintal de alguma casa e você achará que acordou em uma cidade do interior. Confesso que, durante a semana, quando saio para trabalhar logo cedo, bate uma melancolia por deixar para trás as ruas conhecidas e me aventurar “lá fora”, na selva de pedra.

Não me entendam mal. Não sou contra viagens, pelo contrário, adoro conhecer novos lugares. Mas entre passar horas enlatado em um engarrafamento e tomar um sorvete com minha noiva enquanto deslizamos silenciosamente pelas ruas da Mooca num final de tarde aconchegante, fico com a segunda opção. Afinal, sempre se pode viajar fora de temporadas.

Em 2005 meu bairro fez 450 anos. Devo registrar aqui um mea culpa, pois, mooquense sendo, estive ausente a esse acontecimento. Uma falha que pretendo remediar de agora em diante, estando mais presente nas atividades do bairro. A criação deste espaço na Internet dedicado à Mooca foi o primeiro passo para expressar meus sentimentos em relação a esta região e oferecer aos leitores um meio de interagir com outras pessoas que partilham da mesma opinião.

A Mooca abraça o novo sem abrir mão do seu tradicionalismo

Há quem diga que só os mooquenses natos conseguem entender essa paixão pelo bairro. Pode ser, mas, se assim fosse, não veríamos tantas construções em ritmo acelerado e tanta gente querendo desesperadamente se mudar para cá, em busca de qualidade de vida. É provável que outras pessoas tenham esse sentimento em relação aos seus respectivos bairros, mas, honestamente, ainda não conheci nenhuma.

Se você, leitor, assim como eu, nasceu e cresceu na Mooca, então este texto reflete boa parte de seus pensamentos. Somos uma família de 63 mil habitantes em uma área de 7,7 km², assim, cedo ou tarde acabamos nos esbarrando. Sinta-se desde já convidado para um café e um pouco de “parolagem”. Brindemos ao bairro.

Mas, se você não conhece a Mooca e acha que eu exagero nas palavras, convido-o também não só para o café, mas para um passeio por nostálgicas ruas do passado. Venha conhecer os lugares citados neste texto, a hospitalidade dos mooquenses e vamos saborear ótimas pizzas juntos. Venha, e você será recebido de braços abertos.

Fotos: Jornal da Mooca, Portal da Mooca, Diário do Comércio